A economia brasileira em 2020: qual é o cenário?

31.1.2020 (Tempo de leitura: 10 min.)

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Independente se você gosta da ideia que a década de 2010 acabou ou não – não acabou – você há de concordar que ela não foi fácil para o Brasil. O otimismo que existia 10 anos atrás evaporou com uma série de erros e tropeções, que causaram uma grande crise econômica e instabilidade política no país.

Por mais que seja difícil afastar decisões políticas deste assunto, o objetivo deste texto não é comentar sobre política, e sim tentar ajudar a pintar o panorama brasileiro para 2020. Assim, você pode entender melhor o contexto da economia e até ter mais argumentos para tomar decisões pessoais e profissionais.

Previsões são de melhora

Os números finais do PIB de 2019 ainda não saíram. Porém, já se sabe que eles foram inferiores ao previsto em 2018, pois as reformas profundas prometidas demoraram para sair ou não foram com a mesma intensidade alardeada.

Entretanto, o terceiro trimestre de 2019 e seu crescimento de 0,6% foram uma grata surpresa e aumentou a confiança para o próximo ano também.

Para 2020, as previsões de crescimento são de 2,3%, segundo o mercado financeiro, e de 2,4%, segundo o governo. Caso se confirme, será o melhor número desde 2013 (3%).

O desemprego também deve cair, mas ainda de forma tímida. Ainda teremos mais de 12 milhões de desempregados, mas a porcentagem que passou de 12% em 2019 deve ficar em 11,7% neste ano.

Ao mesmo tempo em que é preciso comemorar a melhora, também é necessário pensar que a inflação está crescendo e que a informalidade ainda é um problema no Brasil. Esses são dois desafios para o governo encarar.

Depois de anos de subidas vertiginosas de desemprego – ele estava em 7% em 2014 – e quedas absurdas do PIB em 2015 e 2016 (mais de 3% em ambos os anos), é bom voltar a fechar no positivo.

O governo também busca enviar sinais positivos para os mercados e agentes financeiros. Seja com reformas profundas, privatizações e declarações do ministro Paulo Guedes.

Novamente, você pode ver isso como positivo ou negativo, dependendo de sua orientação política. O fato é que esses sinais devem continuar em 2020 (falaremos mais a respeito abaixo).

Juros baixos, oportunidades à vista?

Como falamos no texto Empreendedorismo: SELIC baixa incentiva negócios, a taxa SELIC baixa significa muitas coisas. A principal delas é que o governo quer aquecer a economia deixando o dinheiro mais “barato”.

Isso fará o comércio vender mais, empregos serem gerados, mais empréstimos serem tomados para abrir negócios e pagamento de dívidas.

Claro que nem tudo é garantido e só há pontos positivos. Se fosse assim, a taxa SELIC seria 0% eternamente. O endividamento pode crescer e a inflação também deve ter alta.

Encarando a parte positiva, o brasileiro terá acesso mais facilmente a linhas de crédito. Ou seja, você poderá fazer uma compra que deseja há algum tempo – casa, carro, viagem, etc. – pagando menos juros.

O mesmo serve se você quiser abrir seu negócio. Mas atenção, a taxa Selic não é a taxa que você pagará no cartão de crédito ou ao obter um empréstimo.

No entanto, ela influencia esse valor que você pagará para as instituições financeiras, sem dúvidas.

Se a sua situação financeira está estável, com uma fonte de renda constante, e há a possibilidade de fazer uma boa compra, 2020 é o ano certo para avançar. Mas tenha muito cuidado para não criar uma dívida que pode ser difícil de pagar mais para a frente.

Mas e o mundo? Como isso pode afetar o Brasil?

As perspectivas de crescimento global em 2020 foram diminuídas pelo FMI nesta segunda-feira (20/01). Claro que isso afeta o Brasil.

A instabilidade nas relações diplomáticas de países como Estados Unidos e China afetaram os brasileiros em 2019. Aliás, nem precisa que duas superpotências colidam para as ondas chegarem no nosso território.

O exemplo do forte aumento do preço da carne no país já é algo destacável. O aumento do dólar também, chegando a 4,20 reais no fim do ano passado e ficando próximo disso nas últimas semanas.

O ano de 2019 foi desafiador em diversos sentidos, com o Brasil sofrendo repercussão negativa por comentários e atitudes do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe. Por enquanto isso não se manifestou diretamente em um isolamento econômico, sendo a questão diplomática a que mais sofreu.

Porém isso pode mudar e “ameaças” já foram feitas, como o possível desmanche do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Pouco tempo antes, o fechamento das negociações do acordo tinha sido uma das notícias positivas de 2019. A França agora exige uma postura diferente do governo brasileiro na questão da Amazônia, por exemplo.

Voltando a falar em como isso nos afeta, ter problemas no relacionamento com outros países pode bloquear investimentos externos, encarecer produtos e operações devido à desvalorização do real, e impedir que oportunidades de negócios surjam.

Por mais que algumas vezes não pareça que decisões de comércio exterior e diplomáticas afetam nosso dia a dia, isso não poderia estar mais distante da realidade. O que acontece nas reuniões, fóruns e viagens ao exterior impactam direta ou indiretamente os brasileiros com frequência.

O que devo fazer em 2020?

Depois do que falamos no último parágrafo é bom começar este ano com um “calma”. Você não precisa apertar os cintos e achar que uma notícia ruim sobre o Brasil irá causar a perda de seu emprego.

Os cenários interno e externo indicam tendências e apresentam possibilidades e contextos complexos. Isso não quer dizer que uma crise irá gerar um caos nas suas contas – até tem profissionais e empresas que lucram com crises – e que o crescimento na economia traga também o crescimento de sua conta bancária.

Com as notícias que surgiram até o momento e o cenário que se apresenta, o ano de 2020 é bom para renegociar suas dívidas com juros mais favoráveis, fazer alguma compra desejada (e inteligente) e até abrir seu próprio negócio caso você tenha uma boa ideia.

O importante, e isso não muda se estamos em 2020, 2070 ou 1998, é estudar bem a sua situação financeira atual e também sua carreira profissional.

Assim é possível saber se é a hora de criar gastos, se seu orçamento suporta uma compra de grande valor, se vale a pena fazer uma viagem para o exterior e por aí vai. Também pode ser a hora de investir, apesar de os juros baixos exigirem alguma criatividade para ter rendimentos maiores.

Para finalizar, torcemos para que o seu 2020 e o do Brasil sejam positivos. Afinal, se um vai bem, crescem as chances de o outro também ir.

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