Gastos pessoais, orçamento familiar e investimentos em tempos de Coronavírus

17.4.2020 (Tempo de leitura: 10 min.)

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O COVID-19 apresenta uma das maiores ameaças à saúde global que temos notícia. E além da necessidade de proteção - o mais importante neste momento - é preciso também ter calma e se preparar financeiramente, não só para enfrentar estes dias difíceis, como também para encarar a crise econômica que está por vir.

Ainda é difícil mensurar qual será o cenário, mas a recuperação econômica com certeza levará longos meses e a nossa economia, que vinha se recuperando a passos lentos, terá que enfrentar novos desafios.

A questão do Emprego

A pandemia do coronavírus e a quarentena necessária são um fardo pesado para o mercado de trabalho. A atividade econômica retraiu bastante e isso obviamente refletirá diretamente no emprego.

Com a paralisação de diversas atividades produtivas, retração no comércio a nível mundial e muitas pequenas e medias empresas passando por enormes dificuldades de caixa, o desemprego irá aumentar. Já vemos isso em países como os Estados Unidos, por exemplo.

No momento não podemos estimar o tamanho dessa crise, mas podemos afirmar que uma série de empresas não conseguirão manter seus empregados. E outras simplesmente se tornarão inviáveis.

Os governos estaduais e Federal buscaram abrir linhas de crédito, através de empréstimos com juros baixos, para ajudar as empresas a quitar sua folha de pagamentos. Também tem permitido a redução da jornada de trabalho e de salário para que as empresas segurem os postos de trabalho de seus funcionários.

Algumas delas inclusive estão antecipando as férias ou mesmo dando férias coletivas aos empregados.

Felizmente sabemos que uma hora a crise vai passar e com o tempo as empresas vão precisar de seus quadros para voltar à plena atividade. Será preciso cautela e paciência para atravessar essa crise sem precedentes.

O orçamento doméstico

Depois de falar do emprego, partimos para o orçamento pessoal, o assunto deste texto. A primeira atitude que você deve tomar é evitar gastos desnecessários e fazer uma avaliação profunda das entradas e saídas. Especialmente se você acredita que seu emprego está em risco.

Ainda neste período de quarentena, com certeza você estará fazendo alguma economia, sem gastar com saídas no fim de semana ou transporte e comida fora, caso seu trabalho não ofereça os vales. Mas não se esqueça que, por outro lado, está gastando mais energia, com compras no supermercado e outras despesas correntes em sua casa.

Caso você tenha uma família, o orçamento doméstico precisa ser um trabalho conjunto e caso necessário, todos devem fazer concessões. A TV a cabo que não é tão vista mais com o surgimento dos streamings, alguma assinatura de site ou programa que não vale tanto a pena – ainda mais com a alta do dólar – ou até mensalidades caras das crianças em atividades extracurriculares

São decisões não muito agradáveis, mas que devem ser tomadas pela família para um bem comum. O corte na carne pode ser necessário em alguns cenários, como a perda de uma fonte de renda. Tente sempre se livrar dos gastos supérfluos e manter a educação, moradia e saúde como itens inegociáveis.

Renegociações e quitar suas dívidas

Caso você esteja seguro no seu emprego ou negócio, o momento é favorável para renegociar e quitar dívidas. Bancos e empresas de negociação irão buscar dinheiro onde tiver e você pode conseguir condições bastante favoráveis nesse sentido.

Agora, ao lidar com empresas pequenas e médias, é legal entender o lado deles também. Se a sua renda não sofreu um baque, pague normalmente e ajude na recuperação da economia, algo que é bom para o seu próprio bolso também. Ajude o comércio local na medida do possível.

Mas se você sofreu com a pandemia do coronavírus, não tem jeito: é preciso negociar com a escola do seu filho ou o proprietário do imóvel. Você pode ter sucesso, porque neste momento mais vale manter o cliente ou a renda do que se aventurar para conseguir um novo inquilino ou estudante, por exemplo.

Esta é a hora certa para ajustar os seus gastos, porque não sabemos até onde vai essa crise.

Tente ao máximo não criar dívidas, algo que é comum porque o cartão de crédito ou o cheque especial estão ali, prontos para serem usados. Mas os juros farão esse uso se tornar uma bola de neve e quando chegar a hora do pagamento é possível que você ainda não tenha recuperado o fôlego.

Os bancos estão prorrogando os vencimentos das dívidas por 60 dias, basta solicitar esse benefício. Nesse pacote estão incluídas as prestações dos financiamentos imobiliários. Com isso você ganha um tempo a mais para organizar suas finanças e colocar tudo nos trilhos.

É hora de investir?

Novamente, esta pergunta é para quem manteve seu emprego e ainda tem dinheiro sobrando no fim do mês. A Bolsa de Valores sofreu uma queda brutal com a pandemia do Covid-19 e também com a crise do petróleo entre a Rússia e a Arábia Saudita. Essas duas crises infelizmente acabaram ocorrendo ao mesmo tempo e foi fatal para o Ibovespa.

Caso você tenha aplicações na Bolsa de Valores, saiba que os analistas de mercado recomendam não retirar seus investimentos agora e nem mesmo nos próximos meses.

O ideal é não entrar em pânico. As perdas serão grandes no momento, mas se o seu investimento está em papeis de grandes empresas, com situação financeira sólida e bem administradas, provavelmente você acabará lucrando a médio e longo prazo, assim que a situação se normalizar.

Já para aqueles que tenham um perfil mais arriscado para investimentos talvez seja a hora certa de comprar ações a preços bem abaixo de mercado e aguardar a subida.

Não custa lembrar que o risco de uma aplicação financeira é diretamente proporcional à rentabilidade desejada pelo investidor. Trocando em miúdos, para as pessoas que não estão habituadas a mexer com ações ou investimentos, isso significa que, quanto mais retorno se espera do investimento, maior é o risco.

O importante é aplicar em empresas sólidas e “esquecer dela”, só recuperando o dinheiro a longo prazo. Nada de querer fazer especulação e esperar resultados imediatos. Isso só aumenta o risco de perda e não é a hora mais indicada para você perder suas economias tentando se dar bem na Bolsa.

Uma boa opção para quem quer segurança seria a aplicação em ativos de renda fixa de alta liquidez que paguem no mínimo 100% do CDI, como no caso de alguns CDBs. Os do Tesouro Selic ou fundos aplicados em títulos do tesouro são interessantes neste momento.

Recomendamos que você sempre entre no mercado de investimentos com a orientação de um especialista na área. Estude os prazos das aplicações, sua liquidez e as taxas e impostos a que estão sujeitas. Não sabemos o dia de amanhã e você pode precisar contar com esse dinheiro no caso de uma emergência.

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