Empreendedorismo: SELIC baixa incentiva negócios

15.1.2020 (Tempo de leitura: 10 minutos)

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A taxa SELIC atingiu sua mínima histórica no último mês de dezembro, alcançando 4,5% ao ano. A queda é ainda mais significativa quando se compara com o número do final de 2016: 14,25%.

Instrumento de política monetária do Banco Central, a SELIC é a taxa básica de juros da economia e sua movimentação manda um sinal para todo o mercado. Atualmente, esse sinal é claro: a economia precisa girar, o mercado aquecer e a geração de empregos aumentar.

Também estamos falando de um claro incentivo ao empreendedorismo. Como? É isso que vamos explicar abaixo.

Dinheiro mais “barato”

Quando se fala em “custo do dinheiro”, não é algo parecido com o que nossos pais falavam quando queriam ensinar que cada real (ou outra moeda) era conseguida com suor.

Dinheiro mais barato neste caso, aplicado a juros, se refere a conseguir uma certa quantia por meio de empréstimo de forma mais barata que com os juros mais altos.

Afinal, se você pega emprestados 1000 reais com juros X e depois contrata o mesmo empréstimo de 1000 reais com juros 2x, um é mais barato que o outro, certo?

Atenção, a taxa SELIC não é a única que define os juros de seus empréstimos, mas estes sem dúvida ficam mais baratos quando a SELIC cai.

Infelizmente não há muitos empréstimos com 4,5% ao ano de juros, mas ainda assim o cenário permite que você faça negócios melhores do que o habitual.

A queda na taxa, portanto, estimula uma série de pontos.

  • Pessoas consomem mais, especialmente em vendas parceladas
  • Com maior consumo, empresas contratam mais
  • Inflação sobe (devido ao medo da inflação subir muitas vezes a taxa SELIC foi aumentada)
  • Cresce o número de empréstimos para pessoas físicas e jurídicas

O empreendedorismo entra em cena

O Brasil ainda se recupera de uma séria crise econômica. Os indicadores de 2019 estão longe de serem ótimos, mas os números apontam um 2020 melhor.

A geração de empregos também aumenta lentamente, enquanto a informalidade segue sendo um problema do mercado de trabalho.

Um relatório da empresa de consultoria McKinsey apontou que 39% da população economicamente ativa é dona do próprio negócio, intitulando o Brasil como um país de empreendedores.

Claro que esse número é influenciado pela falta de oportunidades no mercado e a citada informalidade. Mas analisando de forma mais positiva é possível também argumentar que existe uma veia empreendedora e criativa do brasileiro.

Ao mesmo tempo que muitos profissionais podem voltar a ser assalariados, é possível usar essa enorme força de trabalho para inovar. E o necessário pontapé inicial financeiro pode ser dado de forma mais fácil com empréstimos a juros mais baixos.

O mercado consumidor é enorme e há espaço em diversas áreas para crescer. Estamos longe da saturação.

Não é só ter uma ideia

Este pode parecer um texto bastante otimista e pró-empreendedorismo, mas claro que não podemos ser levianos de afirmar que só é necessário ter uma ideia e vontade.

Sim, sem dúvidas ter uma boa ideia importa muito e é fundamental para perseguir o sonho. Vamos imaginar que ele seja uma loja de bolos para diabéticos.

Pensar onde será a loja, quantos funcionários você precisará ter, quais bolos serão oferecidos, tudo isso será definido no momento apropriado.

O primeiro passo é fazer um estudo e ter um plano de negócios: quantas lojas similares há na sua região? Quanto você precisará investir para abrir as portas? O lucro não chega nesse momento, então, quanto tempo você pode aguentar sem lucrar?

Há demanda para sua loja de bolos para diabéticos? Como você fará publicidade e se destacará em relação às demais?

Há uma série de perguntas que precisam ser feitas e respondidas de forma muito honesta. Afinal, você não quer ser mais uma empresa que fecha em menos de um ano.

Não é necessário precisar quantos bolos serão vendidos no primeiro mês, afinal isso depende de “N” fatores.

Mas é fundamental ter uma ideia de quantas vendas precisam ser feitas para arcar com todos os custos e alcançar o break even (receitas iguais aos gastos).

Apenas depois de fazer todo esse estudo e ter a viabilidade do projeto atestada é que você pode pensar nos passos seguintes.

Não pule etapas porque, tendo a noção do que será necessário para ser bem-sucedido e quanto pode ser investido, você pode tomar decisões bem-informadas.

Por exemplo: saber que o aluguel no lugar que você tinha se interessado está caro demais; ter uma ideia de que região é a melhor para abrir sua loja; saber onde está seu público e como atingi-lo. Enfim, sair do escuro.

Talvez para a loja de bolos diabéticos nem seja preciso ter um grande salão para clientes, já que as vendas serão entregues em casa.

Cenário ajuda, mas momento pode não ser o melhor

O cenário que citamos, com a SELIC baixa e a recuperação da economia acontecendo – mesmo que lentamente – é positivo para começar a empreender.

Mas isso não quer dizer que o momento seja o melhor, especialmente porque ele envolve até aspectos pessoais.

Empreender dá trabalho. Muito trabalho. Ainda mais com a problemática burocracia brasileira, que faz abrir uma empresa ser uma dor de cabeça de dois meses – e, se depender de alvarás, muito mais.

E empreender custa dinheiro. Não só para fazer todos esses processos, contratar pessoas (se necessário), adquirir estrutura - seja loja, fábrica ou até plataforma online – como também para aguentar até o lucro chegar.

Mudamos demais de visão sobre empreendedorismo, passando do belo para o feio em alguns parágrafos? Então vamos voltar ao incentivo.

Vale a pena, especialmente se der certo. Sua autonomia será completa ou muito maior que na estrutura de uma empresa. Seu retorno financeiro pode ser muito alto, escalável e beneficiar até as pessoas mais próximas de você.

Se você está certo ou certa de que esse é o passo a ser dado, desenvolva sua ideia, monte seu plano de negócios, planeje a parte financeira com o maior detalhamento possível e busque o sucesso. Ele não é garantido, mas a trajetória pode ser cheia de lições e de bons momentos.

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